Carta para a Regina de 15 anos

Menina do céu, a gente entrou nos 60!

E, sabe, eu fecho os olhos hoje e penso na Regina de 15 anos. E sei que, aos 15, você não pensava em como seria aos 60, mas, olha, você tá aqui, oficialmente idosa…

Preciso te contar: você se superou muitas vezes. Você cresceu, amadureceu, casou, teve filhas, tem uma neta e um netinho a caminho, tem muita saudade acumulada ao longo da vida, claro…

Trabalhou muito! Ganhou pouco dinheiro, é verdade, mas sempre trabalhou em coisas que você gostou de fazer, se realizou fazendo, mesmo quando as coisas estavam difíceis. Mas quer saber? A Regina de 60 está cheia de novos planos, acredita?!

Você amou muito, também foi muito amada, eu sei. Viveu um amor lindo, que durou bastante tempo! Você tem muitas amigas, muitas delas ainda desde os 15, algumas até antes. Você manteve muitas amizades do ensino médio, algumas do ensino fundamental (aquele que chamávamos de primeiro grau)

E, olha, você chegou aos 60, mas você ainda pensa como uma menina de 20 ou como uma mulher de 30. Ou ainda uma de 40. Todas elas estão aqui dentro de você. Já ouvi muitas pessoas dizerem que se sentem assim também . Acho que é assim que cultivamos a juventude dentro de nós.

Todas essas Reginas estão aqui. A Regina de 15, de 20, de 30, de 40, de 50. Estão todas aqui dentro dessa de 60. Se me encontrasse com a Regina de 15 agora, diria que me cuidei como pude, me descuidei um pouco também, fiz o que deu!…

Preciso contar que você ainda tem muita rede de apoio, tem muita rede de apoio. Suas filhas, suas irmãs, seus irmãos, suas muitas amigas antigas e as novas, essas que você foi fazendo ao longo da vida também. Todas essas pessoas ajudaram a construir o que você é hoje.

Sabe quando a gente é adolescente e que a gente pensa que as amigas são tudo no mundo? Elas são mesmo. Quanto mais, melhor. E você conseguiu manter várias. Construiu amizades sólidas, profundas. São salvadoras, as amizades.

E a gente está aqui. Talvez você não imaginasse que nesse momento, chegando aos 60 anos, sua vida fosse mudar tanto, mulher. Começar de novo. Mais uma vez, mas agora, bem diferente…

Pois é, às vésperas de se tornar SEXagenária, você vai morar sozinha, com seus cachorros. Fim de um sonho? Saiba que foi bom e não tente mudar nada do que aconteceu… vivemos momentos incrivelmente lindos e importantes. Agora, é mais um ciclo que começa…

Essa virada de vida veio sem planejamento, sabe? Mas veio em um momento maduro, uma decisão conjunta, sabe? Ainda assim, é uma barra! Mas você está segurando a barra. E está se superando de novo.

Olha que legal. Aos 60 anos, Regina… você conseguir ainda se superar. Fique orgulhosa de você.

Se eu pudesse dizer algo para a menina de 15, eu diria: nós estamos bem. Nós conseguimos. E nós ainda vamos mais longe.

A gente, claro, não pode prever o que acontece. Mas se der, essa Regina aqui quer viver 100 anos… Acredito que a Regina de 15, a Regina de 20. A de 25, a de 35, a de 40, 45, 50, 55. Todas essas Regina estão aqui dentro e querem viver muito ainda!!!

Então, vamos nessa! Que a gente tem muita coisa pela frente. Eu tenho certeza que a gente ainda tem muitos desafios aí. Pra superar. Vamos juntas.

Ah! A imagem que ilustra este post foi feita com Inteligência Artificial. Isso aí é uma loucura, que nem podíamos imaginar aos 15… Legal, né?!

É isso! Bora viver esta maturidade, com energia e disposição!

Reflexões de uma venda de garagem: despedidas e recomeços

Dizem que vender as coisas antigas serve para reciclar a energia, renovar os ares, deixar a vida mais leve. Nos últimos dias, vivenciei uma venda de garagem (ou, em palavras mais chiques, um garage sale), que nada mais é do que vender partes da sua própria história em busca de começar uma nova…

É quase um jogo de azar, em que você arrisca tudo e não sabe muito bem o que te espera. No fim, entra um dinheiro na conta, claro, mas fica aquela sensação de vazio no coração. Muitos motivos nos levaram a realizar a venda. O término de uma relação de mais de 40 anos (entre namoro e casamento) é apenas um deles.

Agora que a adrenalina baixou e estou numa sala vazia, enquanto a casa segue cheia de bagunça, caixas, roupas e sentimentos fora do lugar, resta o medo. O medo do novo, do novo ciclo, da nova vida — ainda que misturado à curiosidade pelo que vem por aí.

Vendemos de tudo por aqui: de botijão de gás vazio a celulares antigos, sofás e enfeites de Natal, roupas, panelas e eletrodomésticos. No meio de tudo isso, a gente vai entendendo que as perdas são parte da vida.

De tudo que foi embora hoje, duas vendas me fizeram cair num choro abafado: a do piano, especialmente quando o comprador começou a tocar aquele instrumento antigo, quase da minha idade, mas que ainda encheu a casa com a música e as lembranças.

O piano veio parar nesta casa meio que por acaso, mas fez parte da minha vida desde a infância. Nunca passei do dó-ré-mi-fá, mas ele esteve em todas as casas em que vivi na infância e adolescência.

Quando ele (o piano) se foi, tive a sensação de sair novamente da casa dos meus pais. Foi mais uma despedida da infância, da adolescência, da presença física deles. Desabei.

A outra venda que me arrancou lágrimas foi a da “boia de flamingo” da Elisa. Isso porque nosso amigo flamingo nos arrancou muitas gargalhadas gostosas nos banhos de piscina e nas brincadeiras.

Claro que sei que ainda teremos muitas outras (incontáveis) brincadeiras e motivos para gargalhar. Mas o simbolismo da casa, das nossas reuniões, dos churrascos em família, do flamingo na piscina… E eu me acabando de chorar mais uma vez…

O fim de um ciclo traz consigo o luto. É dureza lidar com as perdas. Lógico que o novo pode (e deve) trazer coisas boas. Tenho certeza de que ainda virão muitas músicas, gargalhadas e histórias para contar.

Despedidas sempre foram difíceis para mim e, desta vez, não seria diferente. Afinal, despeço-me do sonho do “felizes para sempre” e do “até que a morte nos separe”. Despeço-me do casal perfeito. Por mais pacífica e madura que tenha sido essa decisão conjunta, é impossível não despedaçar por dentro e não revirar milhares de sentimentos, expectativas, desejos e sonhos.

Não acabou ainda. Daqui em diante, há muita coisa a fazer. O pior talvez nem tenha passado… há as arrumações, as mudanças, o abre e fecha de caixas, a despedida em breve de um lugar que nos abraçou e acolheu nossa família.

Um lugar que viu a família se multiplicar. Casamentos aconteceram aqui, aniversários, festas de fim de ano, Natais, churrascos e confraternizações. Um lugar que também presenciou momentos de dor, quando tivemos que nos despedir da minha mãe, do João e da Dona Wanda. Um lugar que viu dois dos nossos cachorrinhos irem embora (Zeus e Pipoca), mas que também viu outros nascerem: o Otávio, o Jorge e o Luca.

Um lugar que recebeu nossa Elisa assim que ela nasceu, onde ela brinca livremente pelo jardim, inventando mil histórias e aventuras. Um lugar que testemunhou a chegada de uma nova vidinha para nos alegrar: nosso netinho Paulo. Um lugar que, definitivamente, mereceu o nome de lar.

Agora, é preciso pensar que temos muita vida para viver e novos lares para construir – somos bons nisso, afinal. E somos uma família, para sempre.

Vai ser diferente, vai dar medo, mas também será uma oportunidade de conhecer uma nova Regina. Alguém que nem sei direito ainda quem é, mas tenho certeza que é uma mulher mais madura, mais cheia de histórias, mais confiante, mais resolutiva e, talvez, mais exigente também. Foram tantos aprendizados recentes que estou processando.

Vai, Regina! Vai se descobrir. Vai com medo mesmo. Vai com confiança. Você tem muita vida pra viver.

P.S. Há muitos dias tenho pensado em como tenho sido forte, sem chorar, sem retroceder, sem olhar pra trás. Apenas querendo resolver os problemas e lidar com as situações, de forma firme e segura, mesmo sendo a maior chorona que conheço. Mas eu sabia que chegaria este momento de desabafo (e talvez venham muitos outros, já aviso). Escrever sempre me ajuda. Outro dia li um artigo de uma jornalista em que ela dizia: “Escrevo, porque é a única coisa que sei fazer.”  É isso: escrevo porque alivia. Escrevo porque assim consigo me expressar. Escrevo, porque quando termino, fico mais leve. Então, escrevo.

Até já!

Cartas para Paulo – 1

Meu amor,

Você ainda é pequenininho – pouco maior que um limão na barriga da sua mãe, mas já te amo tanto… Desde que soube da sua existência, uma felicidade enorme tomou conta de mim. Porque sei (sei mesmo) que sua chegada vai trazer ainda mais amor para nossa família. Assim como sei que seu pai Caio e sua mãe Gabi já são – e serão – os melhores pais do mundo pra você!

A Elisa, sua priminha, já fala de você o tempo todo. Os olhinhos dela brilham, cheios de carinho, cheios de expectativa para te conhecer. Vovó está também ansiosa (muito ansiosa) por esse momento. E pronta para viver fazendo malas e voando para São Paulo, só pra te encontrar.

Esses dias eu pensei: como é possível sentir saudades de alguém que nem conheço ainda? Mas já estou com saudades de você, sabia? Saudade e ansiedade… Saudade e amor… Acho que é porque estamos vivendo em cidades diferentes e não posso colocar a mão na barriga da sua mãe todo dia. Mas pode ter certeza: darei um jeito de te encontrar sempre. Sempre. E vamos conversar muito! Se prepara!

Vovó tem descoberto todo dia com a Elisa, como é olhar a vida pelos olhinhos de vocês. Não que eu não visse isso com sua mamãe ou com sua tia, mas agora… agora eu tenho mais calma pra apreciar a forma como vocês encaram tudo. Tenho mais paciência, porque já não tenho obrigações. Tenho menos pressa, porque o tempo agora é cheio de qualidade. Tenho mais empatia, porque a vida me ensinou um pouquinho… Acho que tenho também um outro olhar, sabe? Deve ser o que chamam mesmo de olhar de vó, né? É tudo tão lindo e tão cheio de descobertas (e de amor, muito amor!). Estou doidinha de curiosidades pra descobrir tudo com você também. E te colocar nos meus braços, te embalar, te fazer dormir, te encher de beijinhos e abraços…

Estou prontinha para essa nova aventura: vovó maluquinha no mundo do Paulo! Obaaaa! Vamos viajar juntos pelas historinhas (Elisa já tem um monte pra contar), pelas brincadeiras, pelos balanços e escorregadores, pelos jardins, pelos parquinhos e pelos lugares em que a gente conseguir andar. Vamos dançar, pular e colorir o mundo. E, claro, vamos levar o Otávio e o Jorge junto com a gente!

Eu Te espero de braços e coração abertos! Tem muito amor aqui pra você!
Vem, Paulo!

Um beijo enorme da sua vóvis, vovó Regina, Vovó Maluquinha ❤

Cartas para Elisa 8

Minha maravilinda Elisa,

Ontem, 27 de julho de 2025, foi Dia dos Avós. Só percebi à noite, quando o dia já tinha passado— e que dia maravilhoso, Elisa! Você dormiu aqui, ficou “grudada, grudadinha” o tempo todo… E foi tão lindo! Vovô precisou sair no fim da manhã e tivemos um dia todinho só pra nós duas!!! E, aqui sozinhas (com os cachorros, claro), eu tive a oportunidade de refletir (e agradecer, muito!) sobre a maravilha de te ver crescer.

Puxando você no balanço (— mais alto, vovó! — mais alto!), pensei em como você já está crescida. Às vezes, ainda me emociono ao lembrar da sua mãe grávida, ou de você tão pequenininha, e agora… quase três anos! Tanta coisa vivida, tanto aprendizado compartilhado. Sabe o que é mais bonito disso tudo? O amor que nos envolve—esse amor que você sente e devolve pra mim e pro vovô Magno (o “bonitão”), e que enche a nossa casa de alegria.

Tem horas que tenho vontade de “agarrar o tempo”, de congelar cada sorriso, o jeitinho, as palavras ainda atrapalhadas (tão lindas, será que pode continuar assim?) a gargalhada que ecoa pelos cantos. Depois penso – não! O melhor é saborear cada momento, deixar a vida acontecer bem devagarinho, aproveitando cada segundo ao seu lado.

Enquanto isso, lá estava você, balançando, brincando de pegar “nuvens de algodão doce”… E eu, feliz, sentindo o privilégio de viver isso. Você inventando músicas, rindo alto quando me manda “sumir” correndo – e eu sumia (e voltava correndo só pra te abraçar!). Nada se compara ao som da sua risada.

O nosso dia foi recheado de brincadeiras, corridas com os cachorros, pinturas, comidinhas (o bolo de banana não deu muito certo, mas valeu a tentativa!), musiquinhas e histórias de Os Saltimbancos (o teatro musical que você tanto ama!). Mil perguntas, mil descobertas… Só a gente mesmo para tanta conversa!

Hoje, domingo, a vovó acordou indisposta e não conseguiu cumprir a promessa da roda gigante. Mas o vovô Magno foi com você! Só vocês dois nesse passeio especial. Fiquei emocionada vendo as fotos e vídeo – como você está crescendo confiante, explorando o mundo com autonomia e brilho nos olhos.

A vida é tão rara, como diz a música… Que sorte a minha viver esses dias com você!

E sabe, Elisa? No fundo, Dia dos Avós é todo dia: sempre que a gente brinca, conversa, canta, se diverte. Te amo, minha menininha linda demais, perfeita, cheia de luz! Que venham muitos outros dias pra gente colecionar juntos!

Um beijo e um abraço apertado, da Vovó Regina

Carta para a Regina de quase 60 anos

Neste momento, estou em Pirenópolis – a pouco mais de 150 km de Brasília, mas parece mais longe daqui. Férias, descanso, jornada de autoconhecimento. Uma temporada curtinha – cheguei domingo, hoje é terça e vou embora amanhã. Mas estou aproveitando cada minuto. Sozinha – sem sentir solidão. Nunca tinha experimentado. Primeira vez agora, quando estou a cinco meses de completar 60 anos.

Esses 60 batendo à porta… Por que assustam? Só alguns números juntos. Não me sinto com 60, mas o que significa isso? Posso ter a idade que quiser? Minha idade não me define como a hashtag que uso nas redes sociais? Lá vem eles: toc, toc, toc…

Estou vivendo um período de transformações. Com os 60 batendo à porta. Estou investindo em mim – terapia, consultoria financeira… um pouco de meditação, atividade física com personal trainer. Investimentos que preciso. Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Muitos desafios.

E os 60 batendo à porta. O que vai mudar, afinal? Uma carteira de idosa? Estacionamento em locais privilegiados? A aposentadoria do INSS? Ainda não sei. Mas acho que muda mais o olhar das pessoas. Ouvi isso outro dia em um podcast: que a gente envelhece quando o olhar das pessoas sobre nós muda. Pode ser. Tem mudado de alguma forma há alguns anos. A forma como nos chamam de “senhora” com mais reverência… um pouco de complacência também…

Mas a gente envelhece também quando se olha no espelho e a idade tá lá: visível e palpável. As rugas, marcas do tempo, da vida, o colágeno (ah, o colágeno) que se esvai… a pele, mais fina, mais sensível, mais flácida.

Mas, por que isso é importante? Porque os 60 estão ali, batendo à porta.

Voltando à minha temporada: estou lendo Juliana Monteiro, uma jornalista sensível, com uma escrita tão verdadeira que dói. Indicação de outra Juliana – a Oliveira, uma jornalista e advogada e amiga das melhores. Amo. Mais a Barbosa, claro, porque conheço de pertinho e conto com ela todos os dias.

Bom, sobre a Juliana – a Monteiro. Estou lendo uma obra sobre a pandemia (Nada lá fora e aqui dentro). Faz cinco anos que vivemos tudo aquilo. Parece mais. Às vezes, parece menos também. Tanta coisa em cinco anos e meio. Tanta coisa que esquecemos também: o medo, a finitude espreitando, a esperança que o mundo melhorasse, que as pessoas ganhassem doses extras de empatia… As pessoas queridas que se foram com a covid-19. Amizades que ficaram para trás por causa das polêmicas (essas, talvez nem fossem amizades).

Mas o livro me trouxe de volta à minha vida. E à vontade de escrever. Muita vontade de escrever. Talvez por estar aqui nesta jornada de autoconhecimento. Sozinha, mas sem solidão. E com os 60 batendo à porta.

Também me levou novamente a março de 2020. Cinco anos e meio – período em que perdi um irmão, minha mãe, uma amiga de infância, minha sogra. Nesta ordem.

Também ganhei o melhor presente de todos. Virei avó. Foi de uma maneira linda, com muito, muito amor envolvido. Elisa é a menininha mais linda que conheço. E perfeita (piada interna, ela um dia vai saber). Amo com uma força inexplicável. Daquele amor que a gente conhece quando os filhos nascem. E que a gente aprende a multiplicar.

Lá vou eu começar a chorar enquanto escrevo à beira da piscina, escutando as crianças brincarem. Quis escrever aqui, com uma paisagem linda em volta. Sozinha, mas rodeada de gente, de natureza, de música, de risadas de crianças… Não é solitário. Interessante.

E os 60 por aqui, espreitando, batendo à porta. Por dentro, os 30, 40, 50… todas as idades ainda falam muito alto. A mesma vontade de fazer coisas novas. E estou fazendo. O projeto novo do “Solta a Voz, Mulher” tem sido um combustível poderoso. Sempre que chamo as mulheres a soltarem sua potência, sua energia, estou chamando a Regina.

A Regina de 20, de 30, a Regina menina, adolescente, brincalhona, que gosta de dançar e de rir. De fazer os outros rirem. A Regina que ama com tanta força que parece que o peito vai explodir. A Regina que ainda acredita nela mesma. Nas possibilidades. No amor. Na vida.

Caiu um cisco aqui. Segura a lágrima, porque se a primeira cair, vem aí uma cachoeira. Procuro o garçom. Uma água com limão pra ajudar a engolir o choro. Minha mãe gostava de dizer isso: engole o choro. Tadinha… Teve que engolir muito choro. Como se fosse possível acabar com a emoção assim, engolindo. Nunca consegui.

Nem agora, com os 60 batendo à porta.




P.S.: uma nota que não pode deixar de estar aqui: estou tentando há bastante tempo dar uma parada pra respirar. Desta vez, foi possível graças à minha rede de apoio, que amo loucamente. Minha irmã, Carminha, me cedeu as diárias deste hotel incrível, que estou amando. Minha filha, Luciana, me emprestou o carro, porque compreendeu que a jornada começava ali, em Brasília, escolhendo o caminho para percorrer. Sozinha. E minha filha, Gabriela, que está cuidando dos meus cachorrinhos enquanto isso. Obrigada demais, meninas! ❤


Completo 59 anos e começo minha jornada rumo aos 60…

Mais um ano e serei oficialmente idosa! Serei agora então uma “pré-idosa”?

Falar isso em voz alta é complicado, né? Uma mulher com quase 60 anos no Brasil anunciar em alto e bom som a própria idade soa quase como “confessar um pecado”. O etarismo ecoa por todos os cantos, e seguimos enfrentando inúmeros preconceitos contra as mulheres: a menopausa, o envelhecimento, o corpo — se está acima do peso, se está abaixo, se tem muitas rugas, se tem marcas, se tem barriga, se precisa de botox ou de procedimentos estéticos. Pintar o cabelo ou assumir os grisalhos? São tantos pré-conceitos para tratar do envelhecimento feminino…

Aqui dentro, procuro me lembrar todos os dias: envelhecer é um privilégio. Mas dizer que é fácil e/ou glamuroso? Não, não é. É quase corajoso anunciar a idade. Uma incoerência em pleno 2024, quando os estudos apontam para um crescimento no número de pessoas idosas e uma redução da natalidade em praticamente todo o mundo.

E não é só enfrentar o preconceito, é também enfrentar alguns desafios, sim! Se eu, que reconheço os privilégios que tenho, enfrento alguns perrengues por conta do envelhecimento (sim, a menopausa traz muitos incômodos físicos e emocionais que ninguém te conta direito), me pego imaginando as mulheres que não têm acesso à saúde, medicamentos ou procedimentos. A menopausa não é “mimimi”; é difícil de encarar. No Brasil, então…

Por conta disso, sempre achamos normal a mulher (sempre a mulher) “mentir” a idade. Quantas de nós assume – de verdade – a idade que tem? Tive uma professora diferente: minha mãe fazia questão de comemorar “com pompa e circunstância” cada década: 60, 70, 80, 90… Queria ter chegado aos 100, mas nos deixou aos 94. Ainda assim, que privilégio ser de uma família de mulheres longevas! Tanto do lado da minha mãe quanto do meu pai, as mulheres ultrapassam com facilidade os 80 e 90 anos — algumas chegam muito próximas dos 100.

Enquanto isso, a vida até os 59 passa em um piscar de olhos. Clichê? Claro que sim! Mas é verdade: um dia, você tem 40 e acha que já está ficando “velha”. No outro, está prestes a fazer 59, depois 60, e percebe que é só uma “jovem amadurecida”. Claro que você precisa encarar aquela senhora no espelho — como escrevi neste blog há alguns anos.

Definitivamente, não tenho o direito de reclamar da jornada até aqui. Houve percalços, desafios, momentos de tristeza e de perdas, mas não é disso que a vida é feita?

Construí uma carreira, trabalhei em lugares incríveis, casei-me com o meu melhor amigo — e seguimos mantendo o amor e a amizade até hoje. Tive duas filhas maravilhosas, uma neta linda e genros que adoro.

Não é sobre ter uma vida perfeita, como aquele comercial de margarina. Essa existe só nas redes sociais, não tenham dúvidas. É sobre entender que vamos lidando com as pedras no caminho e construindo novos rumos, mesmo quando precisamos fazer viradas bruscas ou escolhas difíceis.

Gratidão é outro clichê? Pois, sinceramente, agradeço por tudo que aprendi até agora e espero continuar aprendendo pelos próximos 40 anos. Sim, acredito que são mais 40 anos pela frente! É o mínimo que posso esperar, considerando a longevidade da família. Sou otimista e acredito que posso chegar lá como algumas dessas mulheres do Instagram — lúcida, independente e com vida ativa aos 80 e 90. Me refiro a alguns ícones, como Fernanda Montenegro, Jane Fonda, Nathalia Timberg, sabe? Claro que elas enfrentam perrengues também, mas seguem dignas e inspiradoras, altivas e lúcidas. É o que almejo.

Enquanto isso, sigo tentando fazer minha parte: atividade física (adoro e faço o possível para manter a regularidade, mas sei que há espaço para melhorar em 2025 – minha personal sabe disso!), uma alimentação “quase” balanceada (Não comentem com a nutri, mas amo comer!), cuidando com muito amor das minhas relações pessoais, buscando aprendizados diários, tomando meu vinho (com parcimônia – quase sempre – e muita felicidade – sempre!), e, claro, fazendo terapia, como todo mundo (quase) normal…

Além disso, tenho como meta manter acesa “a chama do amor que nos anima” — como meu pai nos ensinou — tanto no casamento com Magno como na relação com minhas filhas, genros e minha netinha linda. Tomara que dê certo daqui pra frente como tem dado até agora.

Então, vamos a ele: a mais um ano, mais desafios, aprendizagens, reflexões, encontros e desencontros, momentos felizes e outros nem tanto. A roda da vida continua a girar e, ao fim e ao cabo, é o que importa.

Olá, 59, estou de braços abertos para te receber!!!

Vumbora seguir na busca de viver melhor? Afinal, a vida tem que valer!

A experiência da vovó maluquinha: Cartas para Elisa 7

Ah, Lili… Acabamos de passar pelo segundo Dia dos Avós com você aqui com a gente! Tão louco isso!!! Até hoje às vezes me assusto de ser chamada de “vó”, apesar de entender o tanto de amor que tem nessa palavrinha…


Você já é uma menininha sapeca, de 1 ano e 8 meses. Tão pouco tempo e já faz a gente ser tão mais feliz… Você sorri, eu derreto… Você chora, aperta o meu peito…
Te amo um tantão enorme, não dá pra medir, sabe? Amor de vó!

O mais legal é todo dia a gente descobrir alguma coisa nova: um novo passinho de dança, uma nova palavrinha, uma música mais legal que a outra, uma brincadeira que te faz rir até cair… Nossa, quanta coisa…

Você já demonstra ser uma super companheira! Topa as nossas saídas (inclusive noturnas), senta à mesa dos restaurantes e come tudo que passar por ali, vai ao Capital Moto Week (encontro de motos que seu avô adora e que eu aprendi a gostar), topa passear só comigo ou só com sua “dindin” Gabi sem dar o mínimo trabalho…

Eu estava relendo as cartas que escrevi antes pra você e como é engraçado… estamos fazendo tudo que eu tinha planejado e ainda muito mais!!! É lindo isso e me enche de uma felicidade incrível e de amor de vó!

É lindo saber que você pede pra sua mãe ligar pra gente, uma delícia conversar com você por vídeo e ficar rindo porque vc quer ver todos os cachorrinhos da casa e conhece cada um pelo nome… Tem o “Jógi”, o “Aquiiiiiiiless”, o “Tór”, o “Tatá”… Vc chama cada um e quer ver todos eles pelo celular… Você é maravilhosa com os cachorrinhos!

De vez em quando, você dorme aqui comigo. As noites ainda não são inteiras, mas é tão gostoso ficar admirando você dormir… É uma paz que sai ali de você, que enche o meu coração, que me faz pensar que os problemas são pequenos… Que coisa boa, meu amor!

Aqui na nossa família, seguem me chamando de “vovó maluquinha”, porque a gente corre pra cima e pra baixo, dança, canta, faz bagunça e ri muito. Se isso é ser uma vovó maluquinha, quero ser assim pra sempre. Não me deixa esquecer que isso é que é ser feliz, tá?

Daqui a pouquinho você fará dois anos! Dois anos!!! Lá vem o tempo passando e nos empurrando pra frente… às vezes nos fazendo rodopiar no meio do caminho, buscar uma nova rota, mas ele não para nunca… E lá vamos nós…

Obrigada por existir, minha Lili maravilhosa, bebelezinha pra sempre e Elisa, a corajosa!

Te amo cada dia mais e quero te encher de “amor de vó”!

Um beijo enorme da vovó maluquinha pra você!

Obs.: a foto já tem um tempinho, foi tirada há pouco mais de dois meses, mas ela diz tanta coisa pra mim… Não pude resistir.

#cartasparaelisa #amordevó #vovómaluquinha #vovódaelisa

Cartas para Elisa 6 (e também para a Regina de amanhã)

Oi, Bebelezinha da vovó! Sento-me para escrever essa carta na véspera do meu aniversário de 58 anos. Pois é, hoje é o dia que você completa 1 ano e 1 mês – 25/12/2023. Amanhã, 26/12, faço 58. Escrevo pra você e escrevo pra mim também. Colocar as palavras pra fora da cabeça (rs) me ajuda a organizar as ideias, a desabafar, a pensar melhor…

Amanhã é meu aniversário e eu posso dizer que me orgulho de tudo que vivi até aqui. Não que a vida esteja sendo fácil. Muito pelo contrário, ela anda complicada, confusa, com muitos desafios, muitos recomeços, muitos percalços. Muitos dias em que preciso dizer a mim mesma para não desistir. Porém, muitas coisas para agradecer neste caminho. Muito mais para agradecer, eu diria.

Na véspera desses 58 anos, estou com saúde. Eu e seu avô. Os dois com saúde, energia e disposição. Nem tanta energia todo dia, nem toda a disposição do mundo, você sabe, né?… Tem dias que a gente cansa. Mas tem saúde por aqui! Muita! E tem muito amor. Como sempre digo, também temos sempre “amor pra recomeçar”… Então, vamos nessa…

Estamos caminhando em direção à nossa velhice, não dá pra negar. Caminhando? Sim, porque não me sinto nadica velha hoje. Não fosse esse tal calendário, essa forma de “contar a vida”, onde os dias, meses e anos vão se sobrepondo e as pessoas vão dizendo que somos crianças, jovens, adultos, idosos, onde nos colocam rótulos e coisas assim, eu diria que ainda tenho quase tudo que tinha da Regina de 20 ou de 30 anos atrás. Um pouco menos de brilho nos olhos? Um pouco mais de rugas e dúvidas? Um tantão mais de saudade no peito? É lógico que sim!

Tem, obviamente, as mudanças físicas, que são difíceis e até esquisitas… Tem dias que eu penso que estou jovem, que tenho “todo o tempo do mundo”. Tem dias que me olho no espelho e vejo uma senhora exausta, com muitas marcas do tempo… Tem dias que me sinto corajosa, tem dias que sou covarde… Tem dias que dá aquela vontade de bater no peito e lembrar de uma trajetória linda até aqui. Mas tem dias, nossa, tem dias que dá vontade de ficar quietinha, como se não houvesse problemas para serem resolvidos, como se não houvesse tanta coisa a fazer…

Hoje, aqui nesse finzinho de dia silencioso, ouvindo as cigarras cantando lá fora no quintal, ouvindo o ressonar do Aquiles aqui do meu lado, “ouvindo” as lembranças da nossa festa de Natal ontem mesmo nesta casa, as risadas e musiquinhas de hoje com você brincando, me sinto pronta para os 58, 59, 70, 75, 80, 85… E para todos os anos que eu puder viver com saúde.

Hoje, abri a janela da sala, olhei o céu azul de Brasília e pensei no privilégio da vida. Principalmente da minha vida, da nossa vida. Temos tanto amor, se temos um lugar quentinho pra morar, uma comida gostosa na mesa e um monte de gente pra amar.

Você e seus pais, Elisa, estavam dormindo aqui em casa. Assim como sua madrinha Gabi e seu tio Caio. Claro que seu avô também estava aqui. Agradeci a Deus, como faço sempre e pensei em como tem sido lindo chegar neste momento, em como a nossa casa tem sido um lugar de encontros felizes, de festas familiares, de como temos tanta gente para amar e curtir, ainda que tenhamos passado por perdas tão dolorosas.

Nem todos os dias são incríveis, nem todos os desafios são fáceis de vencer, nem toda hora a gente acha que “tá tudo bem”… Mas, entrando em um novo ciclo, preciso dizer que estou dando o meu melhor. Nem sempre dou conta de tudo. Estou fazendo o possível, ainda que erre para caramba no caminho e tente aprender com esses erros, mas às vezes, a gente erra de novo. E é assim…

Uma vida real, de erros, acertos, tropeços, conquistas, vitórias, fracassos… Uma vida em que a gente cai, mas “levanta pra cair de novo”, como diria sua bisavó Coeli. Uma vida de muitas, mas muitas mesmo, coisas boas. Uma vida pra agradecer.

E lá vamos nós para mais 365 dias de pura aventura! Que venham os 58!

Cartas para Elisa – 4 (atrasada)

(Descobri uma carta escrita e não postada – de dezembro de 2022)

Elisa, você nasceu!  E nasceu uma avó em mim.

Outro dia você estava no quentinho da barriga da sua mãe e nós ficávamos imaginando como você seria… Agora, está aqui, nos fazendo muito felizes e me ensinando a ser avó.

Você acredita que vi o parto da sua mãe? Eu e sua dinda Gabi, sabia? Foi tão lindo, mas tão lindo, que nem sei explicar. Uma honra, uma felicidade, um enorme orgulho. Que momento!!! Foi no dia 25 de novembro que você veio a esse mundo e tem sido tão intenso que ainda não tinha conseguido escrever pra você! Você já tem um mês de vida e te amo tanto, que nem sei dizer!!!

Te admiro a cada segundo… cada sorrisinho (que ainda é um reflexo, mas em breve você vai me reconhecer, eu sei), cada bocejo que acaba em choro, cada soluço quando você golfa ou tem frio, cada biquinho… Amo cada pedacinho seu. Tão perfeita, saudável, esperta.

Elisa, espero sempre ansiosamente pelo tempinho que teremos juntas todo dia, sabia? Te cheirar, te abraçar, te aninhar nos meus braços – este é sempre o melhor momento do dia. Te amo e estou aqui. Sempre estarei. Por você e por toda a nossa família. Por todos os nossos cachorrinhos também…

Ao mesmo tempo que este amor transborda, vovó ainda nem entendeu completamente esta maravilha de função nova, que é ser vó. Essa delícia que é ter a filha da minha filha nos braços, cantar (ainda que desafinadamente) para você dormir, como eu fazia com sua mãe e com sua tia-dinda Gabi. Chorei esses dias te embalando ao som de uma música que é a cara de sua bisavó Coeli – chama Acalanto, do Dorival Caymmi. Lembro dela cantando… Não sei se para eu dormir, ou se para os netos mais velhos, mas eu amava ouvir… era uma sensação de paz, de amor, de carinho e de acolhimento. Só espero que você sinta isso também.

Elisa, eu te olho e penso como é tudo lindo e como a gente pode ser mais leve, sabe? Você veio para tranquilizar nossos corações depois de um período difícil da família, com perdas doídas… Entendo que você nos mostra que a vida é feita de ciclos e que devemos apreciar cada instante… Estamos todos aqui encantados e quero muito que você saiba disso um dia.

Vem aí um novo tempo no Brasil e um dia você vai estudar nos livros de história que vivemos um período bem complicado e confuso. Espero que – até você conseguir estudar – alguém ainda consiga nos explicar toda a loucura que está acontecendo aqui, sabe? Que venham tempos melhores para todas as pessoas!

Estamos a poucos dias de começar um novo ano e eu mal posso esperar pelos próximos tempos ao seu lado. Mas até agora, vocês estão aqui em casa, no cantinho que preparamos para receber você, sua mãe, seu pai e o Luca. Vocês vão embora dentro de alguns dias… E eu já estou aqui fazendo planos de como vou poder te ver sempre que sentir saudade… E já sei que terei muita saudade.

Vamos nos falando, vovó vai continuar escrevendo para você. E um dia vamos ler juntas e ver muitas fotos, também. Já disse que te amo?

Beijo bem, bem grande pra você!

Vovó Tuca, Regina, Rê, Vóvis…

28 de dezembro de 2022

OsSETE no nosso primeiro Natal

Cartas para Elisa – número 5

Oi, “Bebelezinha da vovó”!

Já faz um tempinho (o tempo tá passando muito rápido, nossa!) que eu não escrevo pra você, mas é que a vida este ano foi complexa e desafiadora. E você foi um bálsamo diário, sabia? Te encontrar foi e é motivo para muitas explosões de amor, de riso, de fofurices sem fim.

Como eu já sabia, o amor por você só cresce, junto com a vontade de estar cada dia mais pertinho, acompanhando cada passo, cada palavra nova, cada descoberta sua.

Eu preciso te contar que, no fundo, eu tinha medo de ser avó. Tinha medo de virar uma velhinha sentada na cadeira de balanço costurando para netinhos e netinhas. E, sabe o que é mais incrível? Eu descobri que isso é um estereótipo horrível, carregado de um monte de preconceito. Eu sou avó com muito orgulho e com muito amor. Eu sou vovó e sou uma pessoa melhor!

Nos últimos meses, nós nos descobrimos. Eu descobri um amor que nem conhecia e você também me descobriu, eu sei. O seu sorriso quando eu chego, quando eu canto, quando me aproximo, me deixa tão cheia de amor e felicidade, que parece que vai sair faísca do meu peito… Eu e seu avô estamos nos renovando, sabe? Ele te olha com todo o derretimento que um vovô pode olhar pra sua netinha… E ele tem ciúmes quando eu pego você primeiro… E você, claro, retribui jogando os bracinhos pra ele e fazendo caretinhas fofas!!! É lindo demais de ver!

Você é uma pessoinha de 11 meses totalmente encantadora! É uma danadinha, que adora uma bagunça (e já descobriu que eu adoro também), que adora andar descalça, solta, dando seus gritinhos enquanto corre de mão dada comigo ou com sua mãe pela casa, ou quando agarra o Thor, nosso cachorrinho mais fofinho e carinhoso…

Você exala felicidade e amor! Você é uma companheirinha, é simpática (de longe, rs) e muito inteligente!

Ah!!! Preciso contar que ver você comendo é uma atração à parte. Sua mãe e seu pai decidiram fazer com você uma introdução alimentar chamada BLW, ou Baby-Led Weaning, que significa “desmame guiado pelo bebê”, em tradução livre. Te confesso que fiquei bem incomodada no início. Achava uma bagunça sem tamanho e me preocupava porque acreditava que você ingeria só alguns poucos pedacinhos de alimento… Agora, confesso que virou uma diversão ver você se alimentar. Você gosta de tudo, se diverte comendo e é uma delícia!!! Você nem imagina a quantidade de fotos e vídeos que fazemos na hora da refeição. Aliás, você nem imagina a quantidade de fotos e vídeos que fazemos com você e de você, rs.

Você já está bem espertinha e quer caminhar pela casa toda (claro que ainda precisa de uma mãozinha pra isso, o que significa que eu e seu avô precisamos estar com a atividade física em dia, pra não ter dor nas costas, no quadril, na perna…). Se diverte com os cachorros e tem paixão pela “Alexa”. Sim, você adora saber que a gente pode mandar naquela moça dentro da caixinha e que ela nos obedece. Você nem fala ainda, mas já manda (do seu jeito) a Alexa fazer coisas.

Sabe que outro dia fomos à praia com você? Era sua primeira experiência e não podíamos perder. Foi um grupo enorme, Elisa. Todo mundo doido pra te ver pisando na areia e experimentando a água salgada. Que farra fizemos!!! E que farra você fez também! Éramos 14 pessoas e foi uma viagem de cinco ou seis dias, mas que vai ficar na nossa história pra sempre. Foi uma delícia acompanhar você naqueles momentos. E já estamos pensando em novas viagens para o ano que vem! Mal posso esperar. Tomara que sigamos fazendo mil viagens incríveis pela vida!

Elisa, seu primeiro aninho está chegando e a gente sabe que vem aí uma nova etapa, com ainda mais descobertas, especialmente porque agora estão chegando as palavras, depois as frases, e em breve, as histórias e as conversas. Vovó tá doida pra ouvir suas histórias e contar algumas também, claro…

Hoje, revirando coisas antigas, achei histórias engraçadas da sua mãe e da sua dinda, que escrevi em pedaços de papel e guardei. Agora, vou colocar todas essas histórias aqui também, porque quero que, um dia, você possa ler tudo isso. E, quem sabe, vai se divertir também.

Obrigada por me permitir te amar tanto. Preciso agradecer todos os dias ao seu pai e sua mãe por também nos permitirem estar sempre pertinho de você e acompanhar essa sua caminhada linda. Conte com a vovó maluquinha para estar sempre ao seu lado, like a bridge over troubled water.

Te amo! Cada dia mais!!!

Beijos da vovó.